domingo, 24 de maio de 2009

Adopção Homossexual

Nao podia deixar de publicar este texto, que descreve tao bem a realidade em que se vive hoje em dia.

"A permissão da adopção de crianças por parte de casais homossexuais não é uma temática estranha às sociedades de hoje. Com efeito, a questão surge debatida em imensos países, frequentemente ligada à questão do casamento homossexual. O que também não é estranho é a controvérsia que separa adeptos a favor e contra da adopção homossexual.
Em Portugal, a adopção homossexual não é permitida, e divide inúmeras pessoas que reúnem um vasto leque de argumentos. Contudo, nem todos esses argumentos têm, na minha visão, sentido coerente, revelando pensamentos ainda algo antiquados. Refiro-me aos argumentos usados pelos adeptos contra a adopção de crianças por parte de homossexuais.
O argumento principal e mais comum é o de que as crianças que forem adoptadas por homossexuais sofrerão danos psicológicos, e que até, inclusivamente, os mesmos pais adoptivos possam contribuir para afectar negativamente a sua sanidade mental. Este argumento é também defendido por psicanalistas, psicólogos e outros técnicos de saúde mental. Ora, se pensarmos que as crianças estão fechadas em instituições, a maior parte delas com condições terríveis, à espera de que o futuro lhes traga alguém que as queira adoptar para lhes oferecer boas condições, amor, felicidade, uma vida feliz, e que terão de ir para a rua aos dezoito anos, quando existem pais em condições de lhes dar essa realidade? Provavelmente, as crianças ficarão com danos psicológicos depois de saber que lhes é negada a felicidade, a possibilidade de viver com toda a sua dignidade e liberdade por uma teoria que nem sequer está provada, mas não o contrário. Não é choque algum viver com pessoas do mesmo sexo – a realidade homossexual não é recente de maneira alguma. A liberdade e a dignidade devem ser dadas a todos os seres humanos, sendo que ninguém deve ser excluído pela sua opção sexual. A homossexualidade não significa que a pessoa não seja capaz de amar, de dar um futuro a alguém. Que sentido faz então, afirmar que as crianças serão afectadas psicologicamente? É um argumento muito pouco credível, especialmente para as crianças que vivem infelizes, desejosas de um futuro melhor.
Outro argumento gira à volta da figura que as crianças idealizam como modelo – mãe, pai, tios, avós, actores, músicos, políticos, etc. – e consiste na defesa de que uma criança adoptada por um casal homossexual não terá em casa um figura feminina e outra masculina. Este argumento é ainda menos credível que o anterior. Basta referir os milhões de solteiros que criam os filhos – além de ser só uma figura feminina ou masculina, não são duas pessoas, mas apenas uma. Ser solteiro implica criar as crianças sem um modelo a seguir? Não. Porque serão então responsabilizados dois pais homossexuais? São seres humanos como outros quaisquer; são modelos como qualquer pai ou mãe que as crianças queriam, de livre e espontânea vontade, idealizar.
Argumentar que os pais adoptivos influenciam a sexualidade dos filhos não é, também, de todo coerente. Qual o problema de a criança ser homossexual? Ser homossexual não é uma escolha, como pode sequer existir “influência”? A sociedade evoluiu bastante para se saber que existem várias opções sexuais, portanto não fará sentido algum negar a adopção a casais homossexuais com este leque de argumentos sem fundo de coerência. Por esta linha de pensamento, estamos a voltar à censura homossexual, que há muito que se deixou, ou, leia-se, tentou deixar-se. Não é da opção sexual da criança que se trata, mas sim de uma vida com condições, feliz, como todos os seres humanos têm direito. Se há a possibilidade de garantir isto, porquê utilizar argumentos que apenas flutuam á volta da verdadeira questão?
É preciso compreender que isto não gira à volta de homossexuais, mas sim das crianças. A questão torna-se um problema quando alguns têm de enfrentar a existência da homossexualidade, esquecendo que esta discussão trata sobre as condições destes milhares de crianças sem família e somente apoio institucional.
A realidade “família é para reprodução” já não existe. Hoje, mais do que nunca, juntam-se as pessoas, divorciam-se, casam-se, mas com uma aspiração muito mais direccionada ao carpe diem, do que propriamente à obrigação da constituição de família. Não quer isto dizer que se deixe de constituir família, apenas que, nas sociedades contemporâneas, essa linha de pensamento já foi ultrapassada. É preciso separar a questão casamento homossexual e a questão adopção homossexual de uma vez por todas, para se debater com coerência e racionalidade os prós e contras.
Um padre norte-americano argumentou que “ Estas pessoas não podem reproduzir… Fazer experiências com as crianças utilizando a adopção homossexual é um problema.” Primeiramente, não se trata de fazer experiências, mas sim de dar um lugar com boas condições às crianças. Estas não são um mero experimento, são o futuro de uma sociedade. As experiências que menciona são maneiras se tornar estas crianças os bons cidadãos de amanhã. Segundo, que sentido faz afirmar que “estas pessoas não podem reproduzir”? Não é nenhum impedimento á adopção de casais heterossexuais inférteis – por que razão seria impedimento a casais homossexuais? Não esquecer que a adopção é, muitas vezes, um meio de trazer a um casal infértil uma grande felicidade, uma maneira de estender a família quando sozinhos não o conseguem fazer. Não pode essa felicidade ser dada a um casal homossexual? A situação parece ser as mesma.
Não se pode, é claro, falar da adopção homossexual sem falar na visão da Igreja. É verdade que muitos dos que defendem a posição contra a adopção são cristãos, ou baseiam-se nos argumentos da Igreja cristã. A adopção homossexual, dizem, vai contra um dos dez mandamentos da Igreja: “Honra pai e mãe”, para além do ideal da família com os dois pais de sexos diferentes. Mais uma vez, estamos a falar das crianças. A religião de alguns não deve impedir de maneira alguma a hipótese de melhores condições de vida das crianças – os mandamentos terão de ser geridos da melhor maneira que a entidade cristã decidir. Não seria, de maneira alguma, justo para alguém ser-lhe negada a adopção por uma regra que não é sequer lei, mas sim apenas para aqueles que escolhem segui-la.
No fundo, é necessário compreender que os adeptos que não estão a favor constroem os seus argumentos maioritariamente na base da orientação sexual, muitas vezes esquecendo que as crianças são as principais personagens dentro da temática. A adopção homossexual tem a seu favor o favorecimento da sociedade e também, falando mais eticamente, mostrar que os valores conservadores de outrora estão prontos a ser ultrapassados. A evolução não é apenas a tecnologia, ou a cura para a SIDA. Antes uma constante que deve estender-se a todos os campos, desde o social ao político, passando pelo económico, tecnológico, e assim por diante. Que mais argumentos são precisos?"

Mariana Figueiredo, Jornalismo.

2 comentários:

Mary disse...

Texto dedicado a Sara Antunes, a minha melhor moralista.
Um dia ainda vai ser primeira-ministra e acabar com o mal que vai no mundo!
Mas para já, contentemo-nos com a faculdade :D

Taylor disse...

O problema não é o facto de a criança ser adoptada por homosexuais, mas sim o facto de a nossa sociedade ser maioritariemente composta por individuos que rejeitam esta situação, que consequentemente afectam e dificultam o processo de "normalização" e inserção da criança na mesma sociedade.

Segundo o texto há quem diga que a criança será influenciada pelos pais adoptivos no que toca à sexualidade. Pois eu acredito que a única coisa que seria transmitida a essa criança seria simplesmente o seguinte lema: "sê quem tu queres ser", porque de certeza que nenhum casal homosexual diria: "sê gay porque nós também somos!" (seria absurdo). Digo isto porque a criança estará sujeita a uma educação sexual mais aberta do que a de uma criança educada por um casal normal, que de tão normal que é apenas diria: "tens de seguir o que a biblia diz e ser heterosexual" ou então: "ou es heterosexual ou levas uma sova". E a partir do momento em que a criança e educada com essa liberdade, vai ter uma adaptação normal, quer seja hetero ou homosexual.

Para além disso nao é genetico certo?

E mais! Para aqueles que não sabem, existe um documentário da National Geographic que fala sobre a homosexualidade... mas como os nossos primos macacos. Sim é verdade, os nossos antepassados também podiam ser gays! Para além de contrariar a teoria de Adão e Eva, deveria tambem contrariar a porcaria do preconceito homesexual. Não era suposto ser um taboo, mais motivo de gozo, ou outro motivo de discução! Isto ja acontecia antes de termos sequer consciencia!

Por isso ponham a ignorância de parte e metam isto na cabeça, o problema não é a homosexualidade, são os que rejeitam a homosexualidade!